Menos é mais – Como se adaptar ao minimalismo na moda Plus Size

9 de maio, por Mariana Rodrigues

O mercado da moda já não é mais o mesmo, ainda bem. Nos últimos anos várias marcas vêm aderindo ao minimalismo e ao conceito de Slow Fashion, movimento que rejeita a velocidade máxima de tendências que vem e vão, permitindo com que peças básicas tenham mais tempo de vida útil. Com o Slow Fashion, surgiu também o armário cápsula, ideia de que não precisamos de mais que 40 peças no nosso guarda-roupas por estação, e que quando uma peça nova entra no armário, outra deve sair – seja como doação ou venda.

Depois do excesso de estampas, cores e tecidos nada básicos, parece que o conceito de minimalismo chegou também para a moda Plus Size. Algumas marcas novas e outras mais antigas aderiram ao já conhecido “menos é mais” lançando peças versáteis e e com cortes mais universais, além de se preocuparem com o impacto ambiental que a produção de toda uma coleção de roupas causa. A Helena, do Garotas Rosa-Choque também escreveu esse post bem bacana sobre armário cápsula para gordas.

Eu confesso que estou adorando ver a Nova Era invadindo o mercado Plus Size. Estou há algum tempo pensando como começar uma mudança no meu gurda-roupas, redescobrir meu estilo. Devo ter cerca de 300 peças, e não uso nem a metade – sim, sou uma acumuladora nata. Ando buscando referências sobre estilo minimalista, e três marcas de moda plus têm se destacado bastante quando o assunto é ser básico com estilo.

Bold

No amigo secreto das blogueiras gordas, a Bold foi uma grata surpresa. “Filha” da revendedora Flaminga, a marca tem roupas feitas em malha, com cortes modernos e básico, permitindo inúmeras combinações. As cores predominantes da marca são preto, branco e cinza. Eu ganhei um vestido listrado com detalhe de nozinho que adoro (que tá na imagem de chamada desse post), é super gostoso de usar e posso incrementar com acessórios mais sóbrios ou coloridos, como o sapato amarelo que uso na foto! Os tamanhos vão até o 58.

Clamarroca Plus

Focada na essência da mulher e em deixá-la à vontade para ser o que quiser, a marca nasceu para aumentar a oferta de jeans para mulheres gordas. São peças diversas, em cortes mais básicos ou modernos, que casam bem com blusas de diversos estilos, servindo tanto para um dia de trabalho quanto para uma balada, por exemplo. Além disso, a Clamarroca tem t-shirts lindas 100% algodão, com hashtags de empoderamento, como #fattitude, #bodypositive e #honormycurves.

Melinde

Na recém-lançada coleção outono/inverno, a Melinde mostra que aderiu completamente ao conceito de Slow Fashion e se coloca como uma marca engajada em promover o consumo consciente. Além disso, abre o jogo sobre o respeitoso processo de produção de suas roupas, que vai da remuneração e condições de trabalho justas de quem trabalha na empresa à doação de retalhos e incentivo para artesãs locais produzirem peças exclusivas.

Cada vez eu venho pensado mais em diminuir meu ritmo de consumo, e optar por peças com maior versatilidade e durabilidade. Um passo de cada vez, e quem sabe não viro adepta ao armário cápsula?

E vocês, o que acham do estilo? Me acompanha nas minhas redes sociais, volta e meia posto looks básicos, mas com muito estilo! ——> Instagram – FacebookPinterest

0
Nenhum comentário

Macacões e macaquinhos em tamanho Plus Size – onde encontrar?

3 de maio, por Mariana Rodrigues

Durante a minha infância, foi uma das peças que mais usei. Combina com tênis, sapatilha, sandália alta. Pode ser confeccionado em jeans mas também num tecido mais fino. Não importa qual seja o seu estilo, sempre vai ter um macacão ou macaquinho que o contemple. A peça ficou um bom tempo afastada das passarelas e das vitrines, mas há uns três anos voltou com tudo – chuto que foi uma prévia da onda com tendência dos anos 90 -, e nos mais diversos modelos.

Comprei esse jeans na Rouge Marie há uns dois anos!

Do passeio no shopping à casamentos à noite, os macacões e macaquinhos ganharam cada vez mais espaço nos nossos armários. Tá certo que não é a roupa mais prática do universo – para ir ao banheiro tem que se despir, quase -, mas é uma peça que muitas vezes é única, e quando não, é só escolher uma blusinha simples para acompanhar e tá tudo certo.

Pensando nisso, fiz uma pequena seleção de macaquinhos e macacões em estilos e lojas diferentes para que você que ainda tá em dúvida entre comprar ou não.

Curtos

Posthaus – VK Moda Plus Size – Rouge Marie

 

Longos

Posthaus – VK Moda Plus Size – Rouge Marie

 

Sigo esperando vida longa aos macacões e macaquinhos na moda, além de aguardar ansiosamente pela volta da salopete, que nada mais é que um “vestido metido a macaquinho”. A peça até ensaiou uma volta, mas, aparentemente não pegou. Volta, salopete!

Essa versão do macaquinho é mais rodadinha e eu amo, comprei na Wear Ever

E pra você, o macacão é ou não uma peça curinga para manter no armário? Não deixa de me acompanhar nas minhas redes sociais! ——> Instagram – FacebookPinterest

0
Nenhum comentário

O mito da militante gorda que não tolera o emagrecimento alheio

24 de abril, por Mariana Rodrigues

Quando me assumi como militante gorda, comecei a prestar mais atenção nas coisas que eu falo, principalmente na internet. Qualquer palavra ou frase mal colocada pode causar uma interpretação errônea de quem lê ou ouve, e, se tem uma coisa ruim para quem quer e precisa provar um ponto, é perder credibilidade. Vejo muita gente falando que o ativismo gordo não perdoa, mas essa fala vem sempre antes de se revelar um propósito: o emagrecimento.

Veja bem, emagrecer não é um erro. Tudo bem querer emagrecer, juro. Você é dona do seu corpo, pode fazer o que bem entender com ele. Não está mais se achando linda quando se vê no espelho? Uma pena, mas pode ir fundo. Não consegue arrumar emprego e sucumbiu ao sistema? Justo. Quer entrar na roupa de marca famosinha? Ok. Eu não acredito que estes sejam motivos para desejar enfrentar um processo de emagrecimento – que por muitas vezes é fisicamente e mentalmente doloroso -, e é por isso que eu não emagreço. Mas você pode, se quiser.

Mas nunca é por isso que eu vejo a maioria das mulheres gordas anunciarem que decidiram emagrecer. O motivo é sempre a saúde. Obviamente a mais justificável das razões, mesmo vinda de mulheres que sabem que problemas de saúde têm mais a ver com sedentarismo e má alimentação que com o formato do corpo em si. Tanto que muitos médicos passam remédios para “auxiliar” no processo de emagrecimento.

Para mim, desserviço mesmo dentro da militância é a necessidade de se explicar. Porque sempre -sempre!- a emenda sai pior que o soneto. No afã de não deixar parecer que você está emagrecendo porque quer (e convenhamos, na maioria das vezes essa é a razão), surgem falas gordofóbicas no discurso, e aí, amiga, você realmente tá queimada no rolê. Mas não porque decidiu emagrecer, e sim porque está mentindo ou justificando seu emagrecimento com fundamentos gordofóbicos.

Junto com as milhões de defesas, vem também as fotos de pratos de salada, na frente do espelho na academia, e, claro, os textões atestando as alegrias de emagrecer e ser mais saudável, e daí para as famigeradas fotos de “antes e depois” é um pulo.

Volta e meia bato na tecla de que ninguém tem o direito de opinar sobre o corpo de outra pessoa. Da mesma maneira que não há a necessidade de anunciar que começou um processo de emagrecimento, porque ninguém tem nada a ver com isso. Só é impossível se expor por algo contraditório ao que se prega, e, quando alguém aponta a incoerência no discurso – e é sempre alguém do ativismo -, dizer que a militância não aceita o emagrecimento alheio.

 

 

0
Nenhum comentário

Noiva, tá na hora de aceitar que o mundo não gira ao seu redor

20 de abril, por Mariana Rodrigues

Imersa no mundo das noivas desde 2014, quando fui pedida em casamento, tenho me chocado cada vez mais com tudo o que tenho visto em conversas sobre festas e celebrações de casamento. Para quem sempre sonhou com uma festa perfeita, e mesmo para quem passou a sonhar após o pedido, a organização da festa e dos detalhes é um período de sentimentos mistos. Alegria, frustração e estresse são os mais comuns por aqui, e nem sempre quem está de fora de tudo isso vai entender ou dimensionar essas situações. É nesse ponto que eu queria chegar.

No meu grupo de amigas, tenho somente mais uma que está na mesma vibe que eu, e estamos sempre trocando figurinhas sobre buffets, decorações e lembrancinhas, além das discussões com nossos noivos, preocupações com eventuais estouros de orçamento, coisas que somente quem está passando sabe o que é.

Vejo muitas mulheres reclamando pela amiga que não quer ir à feira de casamentos, pela mãe que acha exagero ou a prima que diz que “tá aqui para o que for preciso”, mas desaparece quando começamos a nos lamentar e falar sem parar sobre preços de forminhas, cores de sousplat e sabores de bolo. Gente, precisamos entender que, na maioria das vezes, esse assunto é uma chatice para quem não está envolvido na festa. Se chatear por isso é um gasto de energia e tempo, e olha que essas duas coisas geralmente são escassas para quem está planejando uma festa de casamento.

Tem também aquelas noivas que exigem das madrinhas cor e modelo específico de vestido e vão esbravejar na internet quando uma das madrinhas explica que não se sente confortável com aquele vestido. Já falei sobre relação entre noivas e madrinhas neste post aqui, mas, fico assustada quando leio frases como “se ela não quiser, troque de madrinha” ou “seu casamento, suas regras”. Tem noiva que fica tão autocentrada que chega a falar “se a minha madrinha tem consideração por mim, com certeza vai ceder aos meus pedidos” – obviamente que nessa altura o ego da noiva está tão grande que ela já ultrapassou todos os limites, mas parece não ter se dado conta disso.

Além disso, vejo mulheres reclamando dos próprios convidados. Algumas dizem que seus convidados vão “encher a barriga e sair falando mal da festa”, além das reclamações por não terem ganho presentes, afinal “estão investindo muito dinheiro na festa e precisam ter um retorno”, e, aparentemente não dar presente significa não ter consideração. Fico imaginando se essas pessoas se ouvem ou se lêem ao falar essas coisas. Qual a razão de convidar para o seu casamento gente que só tá interessada em comer, e não em comemorar com você e seu noivo? Sem contar que estar presente em um casamento muitas vezes custa caro. Uma roupa nova, aquela ida ao salão, o deslocamento… Às vezes não dá para comprarem presente, e tudo bem, porque por muitas vezes a pessoa está se esforçando para estar ali com vocês, e isso deveria bastar.

“Ai, mas o casamento é meu, eu faço do jeito que eu quiser”

“Ser noiva é muito mais que ser uma top diva”

Bom, você não casa sozinha, já começa por aí. A participação do noivo deveria ser importante, envolvê-lo nos preparativos e deixá-lo responsável por tomar algumas decisões é importante, demonstra parceria. Além do mais, uma festa precisa ser, além de agradável para os anfitriões, divertida para os convidados. Senão é mais fácil viajar com o boy e fazerem um elopement wedding (aqueles casamentos que só contam com o casal, um celebrante e o fotógrafo). Qual é a razão de fazer uma festa pensando só na sua diversão?

É verdade que todo mundo gosta de se sentir importante, e o casamento nos proporciona isso. Mas precisamos sempre lembrar qual é a razão  para esta comemoração, e principalmente, o motivo para a celebração e festa estarem acontecendo.

 

0
Nenhum comentário

Onde encontrar peças GIRL POWER para gordas

17 de abril, por Mariana Rodrigues

Há alguns meses a Helena, do Garotas Rosa Choque contou lá no blog dela a dificuldade que nós gordas tínhamos em achar roupas que exaltassem o feminismo ou o girl power. A verdade é que há algumas estações o feminismo entrou de vez no circuito da moda, só que, para variar, as peças iam no máximo até o 44 ou um GG bem sofrido. Peças exaltando a luta das mulheres, mas, obviamente, com o intuito único de lucrar, e não de fazer uma moda democrática.

Dia desses fui procurar uma t-shirt pra chamar de minha, queria algo com uma mensagem bacana. Meu primeiro pensamento foi entrar no site da Wear Ever, pelas estampas fofas que eu já tinha visto. Busquei as peças 100% algodão e achei não só camisetas, mas também jaquetas e vestidos com dizeres empoderadores e cores diversas.

A moda por si só já é um dos meios de empoderamento, e era super triste ver que, além de visar feminismo apenas como lucro, as varejistas esqueceram completamente que existem recortes dentro do movimento. A Ísis Valverde apareceu no lançamento com uma blusa escrita “We should all be feminists”, em português “Nós todas deveríamos ser feministas”, que custava cerca de dois mil e trezentos reais. Qual é o propósito de uma t-shirt simples com uma mensagem como essa custar essa fortuna? Sem contar que todas nós deveríamos ser feministas, mas, passar a mensagem com aquela camisa, só se você usa tamanho regular – e olhe lá. Então, para você comprar uma peça divulgando e enaltecendo a força da mulher, além de ser rica, tem que ser magra também? E as outras mulheres?

Assim foi com a Renner, com a C&A, com várias outras lojas “de shopping”. Até a Leader, que conta com uma seção Plus Size, no mês passado lançou uma camiseta em homenagem ao dia da mulher. Eu consegui comprar a GG, mas e as mulheres maiores que eu? Perderam uma super chance de unificar todas as seções naquela peça, do infantil ao Plus Size, poxa.

No entanto, fiz uma busca e tenho aqui sugestões de lojas que realmente se importam com empoderamento de minas maiores. Além de mensasgens maravilhosas e preços justos, essas marcas tem peças em modelagens diferentes e tamanhos super generosos. Vem comigo!

A 787 shirts tem peças diversas com mensagens de exaltação às feministas. T-shirts, maiôs e jaquetas fazem parte do catálogo, e, se antes as peças iam até o G4, na última coleção a marca aumentou a grade e agora vai até o G6!

 

Outra queridinha minha, a Wear Ever tem várias peças com várias frases. Algumas fofas, outras mais diretonas, a grade deles é bem ampla. A camisa que eu tô usado na foto de destaque do post é de lá. Pra vocês terem ideia, comprei a EG, mandei apertar e ainda assim ficou grande. Podem se jogar!

Por último, fiz um mix de lojas que estão sempre atentas em fazer peças para minas mostrarem o poder que tem! A jaqueta é da CanCan Store, a T-Shirt cinza é da Oh,Querida! e o maiô é da Chica Bolacha! Todas elas vestem mulheres gordas, algumas até o 60!

E você, tem alguma dessas peças ou quer botar para fora o GRL PWR que existe em você? Me mostra lá nas minhas redes ——> Instagram – FacebookPinterest

TAGS

0
Nenhum comentário