O endeusamento de figuras públicas e a vista grossa da problematização

22 de Janeiro, por Mariana Rodrigues

Na época em que uma problematização pode ser classificada em “chique” ou necessária, creio que a gente precisa questionar o que faz parecer uma coisa ou outra. Por mais que o termo esteja mega batido, o “lacre estético” ainda é muito valorizado, e, ousar discordar disso – ou mesmo querer debater algo além – já traz o argumento da problematização desnecessária.

Primeiramente precisamos entender que infelizmente o fato de alguém fazer parte de uma minoria não faz com que seja menos desconstruído, vide a quantidade de mulheres reproduzindo machismo, e a quantidade de pessoas gordas reproduzindo gordofobia. Então a gente precisa, pra ontem, parar de passar a mão na cabeça de alguém só por identificação ou em nome de uma representatividade inexistente. Acho ótimo ver gordas ocupando espaços que antes nos eram negados, mas, honestamente, se for só pra dar close e não passar uma mensagem boa pra quem ainda tá marginalizando o corpo gordo, não faz sentido.

Sim, o país tá vivendo um momento delicado na política, nossos direitos estão sendo cada vez mais diminuídos. Ser mulher é cada dia mais difícil diante de um congresso tão conservador. E pior: temos uma ameaça ainda mais reacionária de governar o país. Mas não é por isso que vamos deixar de discutir falta de acessibilidade, negligência médica, falsas representatividades, padrões de beleza, solidão da mulher gorda dentre outras coisas consideradas “menos importantes” diante do caos social que vivemos no Brasil.

Um passo muito importante é admitir a própria incoerência. Eu, por exemplo, critico muito os posicionamentos da cantora Anitta e dificilmente vou dar audiência pra ela no YouTube ou Spotify – é pouco, eu sei, mas a minha parte eu tô fazendo. Porém, admito que gosto muito do estilo de música feito por ela, e quando toca numa festa eu danço mesmo sem dó – com uma mão no joelho e outra na consciência, como diz o meme. Então assim, eu assumo que curto a obra de algumas personalidades, mas abomino as escolhas pessoais delas. Se meu posicionamento é errado eu não sei, mas é mais honesto que simplesmente falar que quem não concorda comigo está fazendo problematização desnecessária.

Não sei o que pensar sobre a música “Que tiro foi esse?”, forte candidata ao hit do carnaval deste ano. Como a música vem de um meme, não consigo ver problema. Mas, como gorda, não vejo representatividade na Jojo Todynho. As pessoas estão o tempo inteiro debochando dela, do jeito que ela fala, do hábito de usar roupas bem pequenas. Vejo muita gente que “curte a Jojo”, mas na real curte mesmo esse estereótipo de mulher negra-gorda-suburbana que fala gritando e “errado”. As pessoas acham engraçado, é isso. É só ver o sucesso que Terezinha, a personagem de Cacau Protásio no programa ‘Vai que Cola’ faz. Então assim, por que Jojo Todynho faz sucesso e Preta Rara, com todo o seu discurso e suas letras incríveis ainda é uma desconhecida do grande público? Não se trata de competição entre as duas, mas de qual posicionamento é mais aceitável vindo de uma mulher com essas características. Jojo está na boca do povo, virou musa do funk, e, aparentemente questionar qualquer coisa sobre ela virou uma problematização desnecessária.

Cada um é livre para fazer seu entendimento de qualquer situação, além de ter vivências diferentes, e, desde que haja respeito entre as partes, tá valendo. É justo e absolutamente normal não concordar, tá liberado assumir até um guilty pleasure – aquela admiração vergonhosa pela obra de alguém que é escroto -, mas que tal tentar colocar o pé no freio quando alguém tiver uma vivência diferente e tentar entender o questionamento alheio antes de fazer piada?

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Três guias para fazer de 2018 um ano espetacular

12 de Janeiro, por Mariana Rodrigues

 

Oi, gente! Como foram de virada? Tudo tranquilo, na paz?

Como ano passado eu não consegui cumprir a maioria das minhas metas – o que me deixou super frustrada e ansiosa na última semana do ano – resolvi que não colocaria metas para 2018. Optei por apenas tentar evoluir em coisas que acho que preciso melhorar, como organização, controle da vida (principalmente financeira e emocional), alimentação, etc. Queria também ler mais, daí fiz uma pesquisa entre as coisas que eu gostaria de aprimorar, e escolhi livros para me servirem como guia, me instruírem nesse ano e serem parte do meu ponto de equilíbrio.

Só terminei de ler um deles até agora, mas os outros foram super indicados em grupos de mulheres fodonas, além de eu ter pesquisado resenhas para ler coisas que me encorajassem a sair da inércia em que fiquei com a rabugice da insatisfação de fim de ano. Deixo aqui a dica para que vocês leiam e tenham um ano excelente e muito produtivo!

 

O ano em que disse sim – Como dançar, ficar ao sol e ser a sua própria pessoa

 

Shonda Rhimes é uma grande conhecida da galera que é viciada em séries. Roteirista do sucesso Grey’s Anatomy (há 14 anos no ar!!!), ela emplacou outras séries super consagradas, botando a Shondaland (sua produtora) no circuito das grandes produções, e, agora, com a queridinha do streaming, Netflix.
Após uma conversa informal com sua irmã, Shonda percebeu que, por medo de se frustrar, estava sempre negando oportunidades que poderiam ser ainda mais agregadoras para sua vida pessoal ou profissional. Foi quando a autora resolveu que passaria um ano só dizendo sim aos convites que recebesse, o que a fez vivenciar experiências incríveis, e dar aquela sensação de vida, sabe? Medo, expectativa? Tudo isso faz parte, e muitas vezes o jogo vira e você é surpreendido pelo desenrolar maravilhoso daquilo que você antes insistia em negar. Estou no meio do livro e curtindo bastante.

O sabor da harmonia – Receitas Ayurvéticas para o bem-estar

Vejam bem, este não é um livro de dieta. A autora, Laura Pires, conta que sua esclerose múltipla foi controlada através da Ayurveda, um estilo de medicina indiano e que é pautado nas emoções. A alimentação é toda baseada em ingredientes naturais e frescos – de verdade, nada de comidinha da terra fake, tá? – e equilibram bem-estar físico e espiritual. Infelizmente a Ayurveda ainda não é popular aqui no brasil (uma consulta com médico ayurvédico custa cerca de 400 reais), mas esse livro tem teste de dosha – sua caracterização biológica segundo a Ayurveda – e receitas ideais para cada dosha -, além de dicas de meditação e bem estar. Ganhei esse livro em um amigo oculto que participei, e fiquei super feliz. Já vinha pesquisando sobre a Ayurveda há algum tempo. Claro que não sou ortodoxa, mas o que me ajuda a equilibrar mente e corpo, já me agrada bastante.

Atenção plena para iniciantes – Usando a prática de mindfulness para desenvolver o foco no momento presente, acalmar a mente e transformar sua qualidade de vida

 

Quem nunca se sabotou inconscientemente? Deixou de fazer algo incrível por achar que não conseguiria, ou foi tomado por pensamentos destrutivos? A gente vive numa era com muita informação, o que é ótimo, mas não dá conta de controlar nosso tempo e nossos pensamentos – estima-se que cada indivíduo tenha entre 50 e 70 mil (!!!) pensamentos por dia. O livro dá um norte para termos um tempo para a meditação, para o foco no que realmente é interessante e também para nos livrarmos das amarras da autosabotagem. Estou no início dele

À parte dos meus livros-guias, aproveito para contar que neste início de ano passei a integrar o time da Blogstorming.lab, startup de consultoria, mentoria e assessoria comercial de criadores de conteúdo. Com a ajuda das meninas de lá, o conteúdo daqui e das minhas redes vai ficar mais constante e consistente!

 

 

 

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A dor de ser militante antigordofobia em tempos de discurso body positive

19 de dezembro, por Mariana Rodrigues

Nos dois últimos meses, uma coisa tem chamado bastante a minha atenção: como pessoas famosas e também blogueiras de grande alcance tem se apropriado do discurso body positive. O que é ótimo, se paramos para pensar que toda mulher sofre pressão estética – afinal, é de conhecimento geral que nossa sociedade odeia mulheres. Só que o buraco, queridas, é bem mais embaixo.

O que vou falar pode chocar inicialmente e parecer cruel, mas o movimento body positive não tá nem aí para mulheres gordas. É um discurso que fala exclusivamente de autoaceitação, excluindo questões estruturais como falta de acessibilidade, patologização do corpo gordo, negligência médica. O movimento body positive pode não ter sido criado para tal, mas ele, hoje, tem como principal função invisibilizar a fala de mulheres gordas. Toda a discussão sobre um corpo fora dos padrões estéticos resumida à autoestima.

Eu cheguei num ponto, que a cada post, stories ou compartilhamentos “revoltados com o padrão estético feminino” consigo sentir fisicamente minha voz falhando. A sensação que tenho é que perdi a voz para que essas mulheres magras se sintam no direito de falar sobre algo que elas não vivem, só porque “toda mulher tem local de fala no rolê da pressão estética”. Algo no estilo “é uma pena o hospital não dispor de macas para mulheres do seu tamanho, mas você já viu o avanço que foi a Anitta colocar a bunda com celulite pra jogo no clipe?”. Perdoem o linguajar, mas foda-se a bunda da Anitta. Quando a Preta Gil posou nua na capa do primeiro CD dela – toda retocada de Photoshop, é preciso destacar – as pessoas atacaram sem dó. Quando a Thais Carla posou de biquíni, foram incontáveis os comentários de ódio. Vocês não querem ver bunda real com celulite – vocês querem se sentir melhor porque a bunda de uma mulher dita como gostosa também tem celulites.

Só agora elas notaram que a indústria da moda é escrota – e se vestem um manequim a mais que as modelos 34/36, já crêem estarem aptas a falar. Reivindicam o direito de “se sentirem gordas”, embora sempre tenham mulheres explicando (com mais ou menos paciência, rs) que ser gorda não é sobre sentimento, e sim sobre a perda diária de direitos. Pode parecer que eu estou aumentando, mas perdi as contas de quantas vezes tive que explicar o que pessoas gordas passam para que as pessoas entendam que não é sobre brusinha na Cantão. Ainda tenho que lidar com a desonestidade de quem diz que eu não respeito pessoas com distúrbio de imagem.

Eu estou exausta. De explicar, de ter que ser didática, de brigar. Queria ser positiva e acreditar que teremos mulheres gordas no próximo ano ocupando cada vez mais espaços que antes nos eram negados, mas o que eu vejo são mulheres usurpando todo o nosso discurso e a nossa luta simplesmente pelo medo – ou seria a ojeriza? – de dividir o mesmo espaço conosco. Eu queria ser uma dessas mulheres a deixar de lado a fala de “me odiava, agora me amo” e colocar na mesa o que realmente precisa ser discutido, mas não sei se vou ter pique para isso.

“Eu não sou forte o suficiente para lidar com isso tudo sozinha”

Vou aproveitar o recesso de fim de ano e buscar seguir o conselho da Gabriela Moura, nesse texto sobre razões que te fazem adoecer na militância: ‘me proteger, me preservar, e cuidar para que a saúde não seja ainda mais afetada pelas melhores intenções.’

 

 

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De volta à infância sem perder o charme: jardineiras e salopetes Plus Size

31 de outubro, por Mariana Rodrigues

O post de hoje tem duas peças chave que a maioria das meninas que cresceu nos anos 80 e 90 usou. Práticas e versáteis, as jardineiras e salopetes voltaram com tudo. A maioria é jeans, mas algumas também apareceram em brim pra dar cor à peça queridinha. Quando a gente acha que as tendências dos anos 90 já se esgotaram, aparece mais alguma e fica difícil resistir – ainda mais como se trata de algo tão confortável!

Como quase tudo que chega às araras, a procura por essas peças em tamanhos maiores acabou levando mais um tempinho. Demorou , mas agora você pode encontrar tanto jardineiras quanto salopetes com facilidade em lojas virtuais e físicas. As jeans são mais clássicas, mas tem também outras bem bacaninhas, confeccionadas em brim ou sarja coloridos.

Uma das coisas mais bacanas dessas peças é a versatilidade. Não importa o seu estilo, elas combinam com qualquer tipo de roupa! Combinando com uma blusinha ou camiseta no seu estilo, sapatos e acessórios, ela fica perfeita com um look esportivo, clássico ou romântico. Sem falar no conforto, pois geralmente é uma peça mais soltinha – e as jardineiras ainda te permitem uma mobilidade maior sem pagar calcinha. Com o verão chegando, vale muito a pena colocar as pernocas pra jogo com uma dessas peças, viu?

Coloquei alguns looks meus usando jardineiras e salopetes pra dar uma inspirada!

A primeira jardineira eu comprei semana passada na Leader Magazine, custou R$119,00 e era tamanho 54 – as roupas plus size lá vão até o tamanho 56. A segunda é a minha salopete linda que comprei na Posthaus (Compre aqui a jeans clara igual a minha e aqui a jeans escura), também tamanho 54 e custou R$129,00. A terceira é antiguinha, comprei na Rouge Marie e não tem mais dela lá. A última eu não comprei, só experimentei! É da linha Plus Size da Forever 21, o tamanho é 5G (veste mais ou menos 54) e custa R$149,00.

Eu quero! Onde compro?

Não seja por isso, dá só uma olhada nas peças lindas que eu separei pra vcs!

1 – Salopete preta Quintess, na Posthaus -> Compre aqui 

2 – Jardineira jeans Quintess, na Posthaus -> Compre aqui

3 – Salopete bordô Quintess, na Posthaus -> Compre aqui

4 – Jardineira Jeans da Rouge Marie -> Compre aqui

Agora é só escolher a sua preferida e se sentir de volta à infância!

 

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A chegada da coleção Plus Size na Forever 21 do Rio de Janeiro

29 de outubro, por Mariana Rodrigues

Demorou, mas chegou! Quando as gordas cariocas já tinham praticamente desistido de pedir,  a Forever 21 foi lá e -TEY! – trouxe uma coleção Plus Size maravilhosa para arrasarmos no próximo verão aqui no Rio de Janeiro! Eu sabia que a Forever+ – linha plus size da varejista gringa – chegaria na loja do Village Mall aqui até dezembro, mas foi meio no susto que eu ontem recebi a notícia de que as peças haviam chegado na sexta. Guardei a notícia bem guardadinha pra contar tudo pra vocês!

Primeira alegria: não, não se trata só de uma arara no canto com roupas jogadas. Gente, são cerca de dez araras só com roupas do GG ao 5G  ou do 12 ao 18. São vários estilos também: tem coisas básicas, fashionistas, peças com pegada mais glam, tendências, roupas pra trabalhar e pra badalar.  Muita moda com perfil mais jovem também, que o mercado plus size brasileiro é muito carente.

Foquem nas calças em tons neon!

Os preços são equivalentes à maioria das roupas da linha de moda regular. Não dá pra considerar baratinho de uma maneira geral, mas também passa longe do que muitas marcas plus size cobram nas suas peças. Tem t-shirts a partir de R$50,00, blusinhas de tecido a partir de R$55,90. Vi muitos modelos de shorts jeans, os que olhei variavam entre R$99,00 e R$120,00. Vi vestidos a partir de R$99,00 e as calças (jeans, flare, coloridas) custavam a partir de R$149,00. Lembrando que o que é caro/barato pra mim, pode não ser pra você, então o ideal é dar uma conferida nas peças pra ver se vale a pena ou não comprar, tá?

Fiz uma live lá no meu Instagram, e eu parecia um filhote de cachorrinho correndo pra todos os lados, animada e em busca de conhecer e dividir com minhas leitoras e seguidoras todas as novidades, haha! Experimentei também alguns looks para dar uma prévia do que vocês encontrarão por lá, peguei peças que eu compraria – mas só comprei duas, #chati.

 

A saia jeans tamanho 5G. Ela ficou bem justa, mas não curto muito. A brusinha é 5G e ficou mega folgada, então creio que a 3G serviria bem. A segunda blusa foi paixão a primeira vista, o tamanho é 5G, mas acho que a 4G serviria também – eu curto uma roupa folgadinha, hehe. A terceira é uma t-shirt 3G, com um shortinho 5G.

Muita gente me perguntou por jardineiras, mas só achei essa salopete fofa lá. Essa é 5G (eu encurtaria um pouco a saia e diminuiria as alças, mas no quadril ficou certinho). O vestido do meio é de viscose, 5G também, mas ficou super folgado atrás, então acho que o 4G seria ideal. Eu amei real esse vestido, espero vê-lo em uma liquidação (alô black friday, rs). O último vestido é de malha e eu coloquei uma jaqueta jeans oversized por cima. Ambos 5G, achei as modelagens pequenas.

Essas foram as duas peças que amei e levei! Shortinho jeans claro com a barra desfiada e blusa ciganinha com pompons!

 

Vale a pena “viajar” para a Barra da Tijuca pra conhecer a coleção plus size da Forever 21? Vale muito! Principalmente se você curte uma moda mais despojada e jovem. Eu vou esperar a black friday pra dar um pulinho lá e tentar garantir umas roupinhas pro fim do ano. Ah, espero também que a loja traga sua linha Plus Size de moda praia, que também é incrível e tem modelos maravilhosos.

 

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