Coisas que aprendi ao adotar um animal de estimação

19 de Fevereiro, por Mariana Rodrigues

Quem me segue no Instagram já deve ter visto várias fotos minhas com a Peteca, mascote aqui de casa. Hoje vim contar como a chegada de um cachorro na nossa casa mudou a minha vida – e a do Diego também. Mas antes de falar da nossa Petequinha, preciso contar nossa história com a Chica e como precisamos de muito mais que amor para adotar um animal de estimação.

Durante os anos de namoro, eu e Diego vivíamos stalkeando perfis de ONGs que resgatam e cuidam de animais abandonados, “paquerando” os cãezinhos e aguardando a hora em que finalmente conseguiríamos adotar um. Quando estávamos terminando a reforma do nosso apartamento, apareceu a postagem de uma ONG oferecendo uma mestiça de labrador. Veja bem, a gente não fazia questão de raça, queríamos mesmo ter o ‘feeling’ do cachorro. E sentimos isso com a Chica. Como os pais do Diego criaram um cachorro de porte médio-quase-grande em apartamento, achamos que daríamos conta também. E, por quase um mês, aguardamos a chegada da Chica.

Infelizmente a Chica voltou ao abrigo após alguns dias aqui em casa. Não demorou muito para percebermos que nosso apartamento não tem estrutura para um cão de porte grande, além de eu mesma não ter estrutura. A Chica chegou com 8 meses pra gente e já era um bebezão. Não conseguíamos dormir, porque ela subia na cama sem a menor cerimônia – até xixi ela fez uma noite, rs. Não conseguia cozinhar, porque ela tinha altura pra alcançar a pia, além de todos os impedimentos. Confesso que idealizei a ideia de ter um cachorro, mas não tive energia pra lidar com uma de porte grande. Tomar a decisão de levá-la de volta ao abrigo foi muito doloroso, porque eu já a amava muito, mas não tinha forças pra mais nada. Era um misto de frustração e culpa, eu me senti um monstro. Quando cheguei no abrigo, a menina responsável disse que já imaginava que fosse acontecer, mas que eu não desistisse de ter um cãozinho. Ela disse que a tristeza passaria, e quando passasse, que eu pensasse bem num cachorro que coubesse não só no nosso apartamento, mas também no nosso estilo de vida.

Olha o tamanhão da bebê Chica!

Eu já estava decidida a não ter cachorros nunca mais. Além do trauma e da culpa no retorno da Chica para o abrigo, não me considerava pronta pra ter outro doguinho em casa. Eis que eu estava com esse pensamento, até que recebi um telefonema da minha tia, perguntando se eu tinha interesse em adotar um cachorrinho ‘salsicha’ – o nome certo da raça é Dachshund. Ela me disse que os cachorros de um rapaz que trabalha na agência bancária dela cruzaram por um descuido dele e ele não queria vender – a intenção era colocar para adoção e continuar acompanhando os filhotes nas famílias. Liguei para o Diego, que pesquisou tudo sobre a raça (já sabíamos que era pequeno e ficaria de boa num apartamento, mas era primordial saber sobre a personalidade e comportamento). Em algumas horas, topamos. Fomos conhecer os filhotinhos em seguida, eles nem abriam os olhos ainda! Escolhemos a mais gordinha, e assim que ela desmamou, a trouxemos para casa.

Hoje eu me pergunto como eu pensei em nunca mais ter cachorro… A Peteca é a coisa mais linda e fofa da vida! Amor da família, ama visitas e ama visitar a casa dos outros também. É uma super companheira pra tudo, não pode ver eu me movimentando que ela vai atrás. Chega a partir o coração quando preciso ir na rua e não posso levá-la. Por ela ainda ser filhote, não pode andar na rua – mas essa semana já vai poder!

Nossa xalxixa veio mini e agora tá virando um xalxixão!

A Peteca chegou na nossa casa há pouco menos de dois meses, e preciso dizer que volta e meia me pego pensando no tanto de dinheiro que já gastamos com ela e que poderíamos ter direcionado para outras coisas. É bizarro, porque em frações de segundo eu me pego pensando no cheirinho dela e em como tê-la na nossa vida é maravilhoso, como a presença dela traz mais vida e mais luz pra nossa casa. Ela já tá quase 100% treinada pra fazer xixi no lugar certo, além de ser muito esperta e carinhosa.

Dito isso, preciso reconhecer que sobrou empolgação e faltou maturidade na nossa primeira tentativa de adoção. Entender o animal, as características da raça e se vão se adequar à sua casa e seu estilo de vida é fundamental para uma adoção de sucesso.

Ah, a Chica foi adotada há cerca de um mês. Nem preciso dizer o quanto ficamos felizes por ela ter encontrado uma família com, além de estrutura, muito amor pra dar!

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Três guias para fazer de 2018 um ano espetacular

12 de Janeiro, por Mariana Rodrigues

 

Oi, gente! Como foram de virada? Tudo tranquilo, na paz?

Como ano passado eu não consegui cumprir a maioria das minhas metas – o que me deixou super frustrada e ansiosa na última semana do ano – resolvi que não colocaria metas para 2018. Optei por apenas tentar evoluir em coisas que acho que preciso melhorar, como organização, controle da vida (principalmente financeira e emocional), alimentação, etc. Queria também ler mais, daí fiz uma pesquisa entre as coisas que eu gostaria de aprimorar, e escolhi livros para me servirem como guia, me instruírem nesse ano e serem parte do meu ponto de equilíbrio.

Só terminei de ler um deles até agora, mas os outros foram super indicados em grupos de mulheres fodonas, além de eu ter pesquisado resenhas para ler coisas que me encorajassem a sair da inércia em que fiquei com a rabugice da insatisfação de fim de ano. Deixo aqui a dica para que vocês leiam e tenham um ano excelente e muito produtivo!

 

O ano em que disse sim – Como dançar, ficar ao sol e ser a sua própria pessoa

 

Shonda Rhimes é uma grande conhecida da galera que é viciada em séries. Roteirista do sucesso Grey’s Anatomy (há 14 anos no ar!!!), ela emplacou outras séries super consagradas, botando a Shondaland (sua produtora) no circuito das grandes produções, e, agora, com a queridinha do streaming, Netflix.
Após uma conversa informal com sua irmã, Shonda percebeu que, por medo de se frustrar, estava sempre negando oportunidades que poderiam ser ainda mais agregadoras para sua vida pessoal ou profissional. Foi quando a autora resolveu que passaria um ano só dizendo sim aos convites que recebesse, o que a fez vivenciar experiências incríveis, e dar aquela sensação de vida, sabe? Medo, expectativa? Tudo isso faz parte, e muitas vezes o jogo vira e você é surpreendido pelo desenrolar maravilhoso daquilo que você antes insistia em negar. Estou no meio do livro e curtindo bastante.

O sabor da harmonia – Receitas Ayurvéticas para o bem-estar

Vejam bem, este não é um livro de dieta. A autora, Laura Pires, conta que sua esclerose múltipla foi controlada através da Ayurveda, um estilo de medicina indiano e que é pautado nas emoções. A alimentação é toda baseada em ingredientes naturais e frescos – de verdade, nada de comidinha da terra fake, tá? – e equilibram bem-estar físico e espiritual. Infelizmente a Ayurveda ainda não é popular aqui no brasil (uma consulta com médico ayurvédico custa cerca de 400 reais), mas esse livro tem teste de dosha – sua caracterização biológica segundo a Ayurveda – e receitas ideais para cada dosha -, além de dicas de meditação e bem estar. Ganhei esse livro em um amigo oculto que participei, e fiquei super feliz. Já vinha pesquisando sobre a Ayurveda há algum tempo. Claro que não sou ortodoxa, mas o que me ajuda a equilibrar mente e corpo, já me agrada bastante.

Atenção plena para iniciantes – Usando a prática de mindfulness para desenvolver o foco no momento presente, acalmar a mente e transformar sua qualidade de vida

 

Quem nunca se sabotou inconscientemente? Deixou de fazer algo incrível por achar que não conseguiria, ou foi tomado por pensamentos destrutivos? A gente vive numa era com muita informação, o que é ótimo, mas não dá conta de controlar nosso tempo e nossos pensamentos – estima-se que cada indivíduo tenha entre 50 e 70 mil (!!!) pensamentos por dia. O livro dá um norte para termos um tempo para a meditação, para o foco no que realmente é interessante e também para nos livrarmos das amarras da autosabotagem. Estou no início dele

À parte dos meus livros-guias, aproveito para contar que neste início de ano passei a integrar o time da Blogstorming.lab, startup de consultoria, mentoria e assessoria comercial de criadores de conteúdo. Com a ajuda das meninas de lá, o conteúdo daqui e das minhas redes vai ficar mais constante e consistente!

 

 

 

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A dor de ser militante antigordofobia em tempos de discurso body positive

19 de dezembro, por Mariana Rodrigues

Nos dois últimos meses, uma coisa tem chamado bastante a minha atenção: como pessoas famosas e também blogueiras de grande alcance tem se apropriado do discurso body positive. O que é ótimo, se paramos para pensar que toda mulher sofre pressão estética – afinal, é de conhecimento geral que nossa sociedade odeia mulheres. Só que o buraco, queridas, é bem mais embaixo.

O que vou falar pode chocar inicialmente e parecer cruel, mas o movimento body positive não tá nem aí para mulheres gordas. É um discurso que fala exclusivamente de autoaceitação, excluindo questões estruturais como falta de acessibilidade, patologização do corpo gordo, negligência médica. O movimento body positive pode não ter sido criado para tal, mas ele, hoje, tem como principal função invisibilizar a fala de mulheres gordas. Toda a discussão sobre um corpo fora dos padrões estéticos resumida à autoestima.

Eu cheguei num ponto, que a cada post, stories ou compartilhamentos “revoltados com o padrão estético feminino” consigo sentir fisicamente minha voz falhando. A sensação que tenho é que perdi a voz para que essas mulheres magras se sintam no direito de falar sobre algo que elas não vivem, só porque “toda mulher tem local de fala no rolê da pressão estética”. Algo no estilo “é uma pena o hospital não dispor de macas para mulheres do seu tamanho, mas você já viu o avanço que foi a Anitta colocar a bunda com celulite pra jogo no clipe?”. Perdoem o linguajar, mas foda-se a bunda da Anitta. Quando a Preta Gil posou nua na capa do primeiro CD dela – toda retocada de Photoshop, é preciso destacar – as pessoas atacaram sem dó. Quando a Thais Carla posou de biquíni, foram incontáveis os comentários de ódio. Vocês não querem ver bunda real com celulite – vocês querem se sentir melhor porque a bunda de uma mulher dita como gostosa também tem celulites.

Só agora elas notaram que a indústria da moda é escrota – e se vestem um manequim a mais que as modelos 34/36, já crêem estarem aptas a falar. Reivindicam o direito de “se sentirem gordas”, embora sempre tenham mulheres explicando (com mais ou menos paciência, rs) que ser gorda não é sobre sentimento, e sim sobre a perda diária de direitos. Pode parecer que eu estou aumentando, mas perdi as contas de quantas vezes tive que explicar o que pessoas gordas passam para que as pessoas entendam que não é sobre brusinha na Cantão. Ainda tenho que lidar com a desonestidade de quem diz que eu não respeito pessoas com distúrbio de imagem.

Eu estou exausta. De explicar, de ter que ser didática, de brigar. Queria ser positiva e acreditar que teremos mulheres gordas no próximo ano ocupando cada vez mais espaços que antes nos eram negados, mas o que eu vejo são mulheres usurpando todo o nosso discurso e a nossa luta simplesmente pelo medo – ou seria a ojeriza? – de dividir o mesmo espaço conosco. Eu queria ser uma dessas mulheres a deixar de lado a fala de “me odiava, agora me amo” e colocar na mesa o que realmente precisa ser discutido, mas não sei se vou ter pique para isso.

“Eu não sou forte o suficiente para lidar com isso tudo sozinha”

Vou aproveitar o recesso de fim de ano e buscar seguir o conselho da Gabriela Moura, nesse texto sobre razões que te fazem adoecer na militância: ‘me proteger, me preservar, e cuidar para que a saúde não seja ainda mais afetada pelas melhores intenções.’

 

 

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O amor próprio deveria ser a ponta do iceberg na militância gorda

6 de outubro, por Mariana Rodrigues

Depois de um hiato causado pelo combo reforma em casa + mudança + casamento, voltei. Nesse espaço de tempo, aproveitei para ler bastante, além de observar discussões em fóruns diversos. O sentimento que eu tenho é que estamos, com raras exceções, como aqueles cachorros que ficam correndo atrás do próprio rabo. Sem avanços, indo a lugar nenhum.

Pelo menos toda semana em algum grupo eu vejo alguém postar uma selfie ou foto em frente ao espelho. A legenda, na maioria das vezes, fala sobre o quanto é importante se amar e se achar linda (o), mesmo que a sociedade te diga o contrário. Na maioria das vezes, esse discurso vem de pessoas que passam por pressão estética

As discussões acerca da gordofobia nunca foram só sobre isso.

“-Doutor, eu fui empalada!

– Você provavelmente se sentirá melhor se perder peso”

 

Claro que é importante se amar, se admirar. Mas, até aí, o mundo tá cheio de gente padrão que se odeia, que “se vê” de uma maneira completamente distorcida. É importante sim mostrar que existe mulheres além das modelos que tem a autoestima nas alturas. Mas quando falamos de gordofobia, amor próprio é quase a ponta do iceberg. Aceitar o próprio corpo e ver beleza nele muitas vezes é o pontapé inicial para a luta real contra a gordofobia, mas não deve ser nunca o ponto final.

“Se achar feia” não é nada quando existem pessoas que são privadas de seus direitos básicos apenas por serem gordas.

Enquanto a gente discute a foto de fulana que se acha gorda, tem uma pessoa realmente gorda sendo negligenciada nos consultórios médicos, sendo indicada erroneamente para cirurgia bariátrica ou tendo diagnóstico de “obesidade” sem investigar outros pontos da saúde além do peso;

Enquanto a gente comenta “arrasou miga que linda” na selfie de cueca do cara que “quebra padrões”, empregos são negados às pessoas gordas, as deixando cada vez mais à margem da sociedade;

Enquanto as pessoas estão aplaudindo campanha com modelo tamanho 48 por “representatividade”, tem gente com seu direito de ir e vir sendo cerceado ao não conseguir passar na catraca do metrô ou do ônibus.

Precisamos parar de olhar só pra gente ou pra nossa bolha e entender que a luta é pelo coletivo. Infelizmente se achar linda em nada vai fazer com que seu médico te respeite, e mesmo que você use um cropped com sua barriga de fora, as cadeiras de plástico ainda podem continuar quebrando se você sentar nelas. Empoderar uma mulher gorda é muito mais que falar sobre a beleza dela, é mostrá-la que ela deve lutar pelos seus direitos, questionar a sociedade gordofóbica. Vamos evoluir no discurso. Já ganhamos parte da publicidade,  estamos conseguindo notoriedade no campo da moda e da beleza… já passou da hora de entendermos que não é só sobre beleza, e sim sobre direitos!

 

 

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Precisamos repensar nossa relação com a comida

26 de julho, por Mariana Rodrigues

Ultimamente tenho participado de discussões bem bacanas sobre a nossa relação com a comida, que anda lado a lado com a relação com o corpo. Com o surgimento desenfreado de dietas cada vez mais restritivas, muitas vezes fazer uma refeição é ativar gatilho de culpa e medo. Sensações como o cheiro da comida pronta, a água na boca ao ver a fumacinha saindo e a felicidade de estar satisfeito após comer tem ficado de lado.

Não sei se já comentei por aqui, mas adoro receber amigos em casa. Tenho paixão por cozinhar, adoro livros de receitas, passo horas pensando em um cardápio que vá agradar ao paladar de todos os meus amigos. Restrições como vegetarianismo e alergias são sempre respeitadas e tem substituições preparadas com o mesmo carinho. Mas não entra na minha cabeça, não consigo entender uma pessoa que rejeita qualquer comida simplesmente pelo medo de engordar. Se compulsão é sinônimo de descontrole, excesso de restrição também não me parece algo, digamos, saudável.

Comida é narrativa social. Sorte de quem tem lembranças da família em volta da mesa no natal, daquela festa que tinha um buffet incrível ou daquele almoço em que uma ótima oportunidade de negócio foi fechada. Aquele café da manhã na cama preparado pelo (a) companheiro (a). Comida serve para comemorar, para acalentar, traz memórias afetivas. Cadernos de receitas muitas vezes são heranças familiares. Eu descobri inúmeras coisas que não sabia sobre mim quando comecei a cozinhar, sabe? É triste demais ver pessoas queridas demonizando uma refeição.

Outra coisa que me preocupa e deixa chateada é o tal  do “dia do lixo”, termo usado pela galera fitness e seus seguidores para se referir aos dias que saem da dieta. Será que faz sentido pra essas pessoas chamar aquela lasanha da vovó ou a comida que qualquer pessoa tenha preparado com carinho pra você de lixo, só porque ela foge do que você está habituado a comer? Nunca rolou comigo, mas me magoaria demais receber alguém pra almoçar ou jantar na minha casa no considerado “dia do lixo”. E mais importante que a questão afetiva: creio que ninguém para pra pensar que tem gente realmente revirando o lixo para se alimentar e no quão indigno isso é.

Eu já fiz dietas restritivas e não tive uma boa experiência. Lembro exatamente de estar em uma low carb e ir a uma festa de aniversário onde estavam servindo um rodízio de pizzas e eu não comi nada. Refrigerante e cerveja, nem pensar. Gente, se eu pudesse voltar no tempo… Eu sou o tipo de pessoa que come de tudo – de jiló aos sanduíches do Mc Donald’s- e optei por uma alimentação equilibrada, comida feita em casa (adorava levar marmita quando trabalhava fora), mas não nego uma sobremesa, um convite pra jantar ou pra uma cervejinha de vez em quando. Meu corpo e minha mente agradecem o meu equilíbrio alimentar.

Será que um jantar vai te fazer engordar? Vale a pena recusar um momento de diversão/confraternização pra não passar vontade? E por que não parar pra pensar nessa repulsa em engordar?

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